1 de julho de 2010

Gabinete de auto-avaliação






(É aqui que estamos... mirando-nos, remirando-nos, vários ângulos, observações cruzadas, pensamentos negros sobre quantidades, aproveitando a luz de umas ideias, evitando estorricar ao Sol da tarde.




Ah, julgavam que isto era só trabalhar, trabalhar, trabalhar e já estava?! Qual quê! Depois de termos dito o que íamos fazer, depois de o termos realizado à vista de todos, passamos agora a dizer o que fizemos e a prová-lo.


S. Tomé já não é o que era! Dantes, bastava-lhe ver p'ra crer, agora há que lhe explicar tudinho!




"Evidências?!", interroga com espanto uma tia minha, "então já não se acredita na palavra de um professor?!". Não lhe perdoeis, Senhor, não é necessário. Há seis anos que deixou o ensino e todas as crenças inocentes lhe são devidas!




Quanto a nós, voltamos dentro de... aí umas 150 páginas de relatório...!)




:))









Fotografia: Exposição «Sem Rede, Netless, Sans Filet», de Joana Vasconcelos

MM, Lisboa, Museu Berardo, Abril de 2010



28 de junho de 2010

Cuidado com a língua! - 1



Iniciamos hoje uma rubrica que nos parece de grande utilidade, dando voz neste blogue a excertos do programa/publicação «Cuidado com a Língua!», da RTP que, de forma lúdica mas segura, nos ensina o Português correcto e nos previne contra ratoeiras que esta língua complexa e bonita nos arma a cada canto e esquina.

Erros, dúvidas, curiosidades, especificidades regionais, evoluções… um pouco de várias coisas, escolhidas entre aquelas que nos parece mais útil trazer aos nossos leitores, esclarecendo ou avivando a memória, conforme os casos, sempre com a garantia de fiabilidade dos autores do programa, os linguista e jornalista consagrados, Maria Regina de Matos Rocha e José Mário Costa.
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Começamos com um apontamento do capítulo “Língua traiçoeira” e com o maltratado verbo HAVER.
HAVER: VERBO IMPESSOAL
É frequente ouvir frases e expressões semelhantes às seguintes:
«As reuniões que houveram…»
«Se houvessem divergências doutrinárias, se houvessem divergências políticas de fundo, eu acho que estaríamos numa situação difícil».
«Apesar de não haverem candidatos credíveis…»
As formas correctas são:
«As reuniões que houve…»
«Se houvesse divergências doutrinárias, se houvesse divergências (…)»
«Apesar de não haver candidatos credíveis…»
O verbo «haver» no sentido de existir é impessoal. Quer dizer que se conjuga apenas na terceira pessoa do singular, independentemente de se lhe seguir uma palavra no plural.
A mesma regra se aplica quando o verbo «haver» está no infinitivo, conjugado com um verbo auxiliar. Nesse caso o auxiliar terá de ficar também na terceira pessoa do singular, pois o verbo principal – ou seja, aquele que traduz a ideia principal – continua a ser o verbo «haver».
Exemplos:
«Vai haver problemas», e não «Vão haver problemas».
«Terá havido muitas divergências», e não «Terão havido muitas divergências».
«Começa a haver problemas», e não «Começam a haver problemas».
«Não deveria haver dúvidas», e não «Não deveriam haver dúvidas».
CUIDADO COM A LÍNGUA!
(continua)
a
In Rocha, Maria Regina de Matos e Costa, José Mário, Cuidado com a Língua, Oficina do Livro, Cruz Quebrada, 2008, pp 151-152

20 de junho de 2010

______A Viagem do Elefante_____


Estava a acompanhar a despedida a José Saramago pela televisão. Fui à estante e peguei num livro dele, ao acaso. Era A viagem do elefante. Abri e li algumas passagens. Apeteceu-me escrever…

O 18 de Junho ficará gravado na minha memória como um dia de perda, de grande comoção e de profunda consternação… 2010 será para sempre o ano da morte de José Saramago.

O meu apreço por este romancista (de certa forma mais internacional do que português) não se deve ao facto de ele ter recebido, em 1998, um prémio, aliás O prémio – o Nobel da Literatura. Já era, antes disso, um grande “companheiro” na minha incursão pelo universo do romance e da palavra. Não conheço toda a sua obra, mas li todos os seus romances (tenho uma predilecção por este género!) e, se não posso afirmar que todos os enredos foram do meu agrado, estou convicta de que todos os comentários humanistas que colocou na boca dos seus narradores sobre a condição e a dignidade humana me fizeram reflectir, repensar, aprender, crescer… O livro que mais me marcou, e que marca o início de um registo alegórico do autor, foi Ensaio sobre a Cegueira. Seguem-se, na minha predilecção, Todos os Nomes, O Homem Duplicado, As intermitências da Morte. Como não produzirá mais, resta-me o consolo de ler ou reler o legado que nos deixou.

Nem sempre concordei com as suas afirmações. Considerei algumas provocadoras, mas sempre entrei em diálogo comigo mesmo (já que não me era possível entrar em diálogo com ele). O próprio Saramago reconhecia alguns excessos, mas afinal tudo se devia à liberdade criadora: “Não que fosse a intenção nossa, mas, já sabemos que, nestas coisas da escrita, não é raro que uma palavra puxe por outra só pelo bem que soam juntas, assim muitas vezes se sacrificando o respeito à leviandade, a ética à estética, se cabem num discurso como este tão solenes conceitos, e ainda por cima sem proveito para ninguém. Por essas e por outras é que, quase sem darmos por isso, vamos arranjando tantos inimigos na vida.” (A viagem do elefante, pp. 175-176).

Saramago gerou polémicas, nunca indiferença. Construiu uma nova forma de pontuar, um estilo inconfundível, subversivo, bem saramaguiano, cujo uso e compreensão só é possível para quem domina perfeitamente as regras convencionais da pontuação. Assumiu o seu ateísmo e as suas críticas acutilantes contra a Igreja, revelando-se um exímio conhecedor dos livros sagrados e um profundo defensor da dignidade humana, dos preceitos morais, dos direitos dos oprimidos…

Saramago foi, e continuará a ser pela força da sua obra, um Homem sem rodeios, com uma intransigência crua e perturbadora face às injustiças sociais e face ao poder, mas simultaneamente com uma tolerância e generosidade imensa face às fraquezas humanas. O próprio disse, numa entrevista: “Gostaria de ser recordado como o escritor que criou a personagem do cão das lágrimas (Ensaio sobre a Cegueira). É um dos momentos mais belos que fiz até hoje”. Ora o cão das lágrimas representa, face à dureza do mundo, a imagem do animal humanizado pela generosidade e pela ternura. Senti-o muitas vezes como tal nas minhas leituras.

“Sempre chegamos ao sítio aonde nos esperam.” Só me resta desejar que, nesta sua viagem, se cumpra a epígrafe que ele escolheu para A viagem do elefante.

Estou certa de que Saramago continuará a chegar até nós através das suas palavras.

Até sempre.


16 de junho de 2010

«País Mistério»:
entrega de diplomas e de prémios

Como anunciado, a entrega de diplomas e prémios às concorrentes vencedoras do «País Mistério» aconteceu ontem à tarde, na Biblioteca.
Aqui fica, para a posteridade, a fotografia das "descobridoras" de Cuba, Tailândia, Argentina, Reino Unido, Djibouti, Índia, acompanhadas da professora Paula Melo, promotora do concurso.
A todas, parabéns! Boas descobertas geográficas e até ao novo ano, com novos desafios!

15 de junho de 2010

ATENÇÃO, participantes do concurso PAÍS MISTÉRIO !


(Clicar nas imagens para ampliar)

11 de junho de 2010

Destaque informativo
Um inquietante assunto, em artigo de opinião

Strawberry fields forever
Clara Ferreira Alves


Os homens europeus descem sobre Marrocos com a missão de recrutar mulheres. Nas cidades, vilas e aldeias é afixado o convite e as mulheres apresentam-se no local da selecção. Inscrevem-se, são chamadas e inspeccionadas como cavalos ou gado nas feiras. Peso, altura, medidas, dentes e cabelo, e qualidades genéricas como força, balanço, resistência. São escolhidas a dedo, porque são muitas concorrentes para poucas vagas. Mais ou menos cinco mil são apuradas em vinte e cinco mil. A selecção é impiedosa e enquanto as escolhidas respiram de alívio, as recusadas choram e arrepelam-se e queixam-se da vida. Uma foi recusada porque era muito alta e muito larga.
(...)
Os construtores da Europa, com as canetas de prata que assinam tratados e declarações em cenários de ouro, com a prosápia de vencedores, chamam à nova escravatura das mulheres do Magreb "emigração ética". Damos às mulheres "uma oportunidade", dizem eles. E quem se preocupa com os filhos? Gostariam os europeus de separar os filhos deles das mães durante seis meses? Recrutariam os europeus mães dinamarquesas ou suecas, alemãs ou inglesas, portuguesas ou espanholas, para irem durante seis meses apanhar morango? Não.



7 de junho de 2010

3 de junho de 2010

João Aguiar: a saudade do mais que não virá




É com muita tristeza que aqui coloco, pela segunda vez este ano, a notícia da morte de um escritor português. Desta feita foi João Aguiar, que não pôde vencer um cancro e se despediu de nós e da escrita aos 66 anos de idade!

João Aguiar veio visitar-nos, a convite da nossa Biblioteca, em Março de 2006, tendo estado à conversa com alunos sobre os seus livros juvenis – das colecções «O Bando dos Quatro» e «Sebastião e os Mundos Secretos». Aqui ficam, recordados nestas fotografias, momentos desse encontro: apresentação, conversa, agradecimento e despedida.


João Aguiar é autor de belíssimos romances, não só mas sobretudo de temática histórica, e, entre outras particularidades possui esta que muito aprecio: em páginas finais separa a verdade da ficção, aquilo que, nas suas sérias pesquisas históricas, pôde inequivocamente comprovar, daquilo que são apenas probabilidades ou que resulta de ousadas invenções suas. A esta honestidade, que vai sendo tão rara, associa uma escrita fina, irónica, límpida, que se lê com grande prazer.


De si terá dito, em 2005, no Jornal de Letras: “A minha vida não dava um livro, e ainda bem. Em compensação, o facto de os meus livros darem uma vida – boa ou má, não importa para o caso – , esse facto devo-o, em grande parte, aos momentos de não-glória que acabo de relatar. E estou-lhes muito grato”.


Ficam-nos os livros, cheios de outras vidas, que a sua vida deu. E a saudade do mais que não virá.