6 de julho de 2010

Mais um adeus


Desta vez, a Matilde Rosa Araújo, que nos deixa (fonte: Jornal Público):


«A sua estreia na literatura teve lugar em 1943 com "A Garrana", uma história sobre a eutanásia com a qual venceu o concurso "Procura-se um Novelista", do jornal “O Século”, em cujo júri de encontrava Aquilino Ribeiro. Para o público adulto escreveu também "Estrada Sem Nome", obra galardoada num concurso de contos da Faculdade de Letras, "Praia Nova", "O Chão e as Estrelas" e "Voz Nua".Na literatura para crianças, o primeiro título publicado foi "O Livro da Tila" (1957) - escrito nas viagens de comboio entre Lisboa e Portalegre, onde leccionava, e cujos poemas foram musicados por Lopes Graça. Seguiram-se "O Palhaço Verde", "História de um Rapaz", "O Sol e o Menino dos Pés Frios", "O Reino das Sete Pontas", "História de uma Flor", "O Gato Dourado", "As Botas de Meu Pai", "As Fadas Verdes" e "Segredos e Brincadeiras" e os mais recentes "A saquinha da flor" e "Lucilina e Antenor", entre cerca de 40 títulos. Com ela colaboraram várias gerações de ilustradores portugueses, de Maria Keil a Gémeo Luís e a João Fazenda.Em 2009, foi publicada a obra "Matilde Rosa Araújo - um olhar de menina", uma biografia romanceada da escritora com texto de Adélia Carvalho e ilustração de Marta Madureira. Membro da Sociedade Portuguesa de Escritores (actual APE), Matilde Rosa Araújo ocupava um cargo directivo quando, em 1965, a instituição premiou o angolano José Luandino Vieira, então preso no Tarrafal, o que levou a PIDE a invadir as instalações e a demitir a direcção».

Portugal Contemporâneo


A Pordata Base de Dados de Portugal Contemporâneo oferece 20 sessões de formação a grupos de alunos de escolas secundárias de todo o país, acompanhados pelo respectivo professor bibliotecário. O objectivo é ensinar a explorar toda a informação e funcionalidades da Pordata, que pode ser uma ferramenta pedagógica muito interessante, sobretudo a alunos que tenham capacidade para, depois, replicarem essa formação junto dos seus pares.
O modelo das sessões vai abranger, em média, 4 a 5 escolas por sessão; de cada escola estará presente um grupo de 2 a 4 alunos e o respectivo professor bibliotecário, num total de 15 a 20 formandos.
Se esta formação te interessa, manifesta-nos a tua vontade!

5 de julho de 2010

Senhora dona, por favor...



Os assuntos da Língua, dos seus atropelos, suas modas e desvarios, são como as cerejas: tudo vai do começar! E depois, é terreno vasto, porque para além da morfologia, da sintaxe e da semântica, geralmente mais fustigadas, acrescem questões de pragmática que regem a comunicação, subtilezas como as do respeito e da delicadeza, de que veremos aqui exemplo.
Manda-me uma amiga, que muito se preocupa com estas coisas, esta belíssima crónica de Alice Vieira... E quem não se viu já na situação de se tornar na Sra. Maria ou no Sr. José...? Para mim, quando me telefonam e perguntam pela Sra. Maria Santos, nome com que não me identifico e com que só figuro em bilhetes de avião, soam logo sirenes de alerta: alguém que quer vender-me alguma coisa não soube como começar!
Aqui se publica, sobretudo para vocês, queridos e jovens alunos. Aprendam com quem sabe, que esses vão rareando, não duram sempre!

3 de julho de 2010

Cuidado com a língua! - 2


Obrigado e obrigada


Deverá dizer-se «obrigado» ou «obrigada»?
a

Ambos os termos estão correctos: a fórmula de cortesia «obrigado» varia em género e em número, de acordo com o sujeito que utiliza a palavra.

a

_Singular masculino: obrigado
_Singular feminino: obrigada

_Plural masculino: obrigados
_Plural feminino: obrigadas

a

«Obrigado» significa «grato», «agradecido»: a pessoa pretende dizer que se sente agradecida por algo que alguém lhe fez. «Obrigado» é, portanto, um adjectivo que concorda com o substantivo ao qual diz respeito, ou seja, o que designa a pessoa que está a utilizar a palavra.


Com mais este «cuidado com a língua» a BE despede-se, por hoje: muito obrigada!

a

(Continua)

a

In Rocha, Maria Regina de Matos e Costa, José Mário, Cuidado com a Língua, Oficina do Livro, Cruz Quebrada, 2008, pp 154-155

1 de julho de 2010

Gabinete de auto-avaliação






(É aqui que estamos... mirando-nos, remirando-nos, vários ângulos, observações cruzadas, pensamentos negros sobre quantidades, aproveitando a luz de umas ideias, evitando estorricar ao Sol da tarde.




Ah, julgavam que isto era só trabalhar, trabalhar, trabalhar e já estava?! Qual quê! Depois de termos dito o que íamos fazer, depois de o termos realizado à vista de todos, passamos agora a dizer o que fizemos e a prová-lo.


S. Tomé já não é o que era! Dantes, bastava-lhe ver p'ra crer, agora há que lhe explicar tudinho!




"Evidências?!", interroga com espanto uma tia minha, "então já não se acredita na palavra de um professor?!". Não lhe perdoeis, Senhor, não é necessário. Há seis anos que deixou o ensino e todas as crenças inocentes lhe são devidas!




Quanto a nós, voltamos dentro de... aí umas 150 páginas de relatório...!)




:))









Fotografia: Exposição «Sem Rede, Netless, Sans Filet», de Joana Vasconcelos

MM, Lisboa, Museu Berardo, Abril de 2010



28 de junho de 2010

Cuidado com a língua! - 1



Iniciamos hoje uma rubrica que nos parece de grande utilidade, dando voz neste blogue a excertos do programa/publicação «Cuidado com a Língua!», da RTP que, de forma lúdica mas segura, nos ensina o Português correcto e nos previne contra ratoeiras que esta língua complexa e bonita nos arma a cada canto e esquina.

Erros, dúvidas, curiosidades, especificidades regionais, evoluções… um pouco de várias coisas, escolhidas entre aquelas que nos parece mais útil trazer aos nossos leitores, esclarecendo ou avivando a memória, conforme os casos, sempre com a garantia de fiabilidade dos autores do programa, os linguista e jornalista consagrados, Maria Regina de Matos Rocha e José Mário Costa.
..........
Começamos com um apontamento do capítulo “Língua traiçoeira” e com o maltratado verbo HAVER.
HAVER: VERBO IMPESSOAL
É frequente ouvir frases e expressões semelhantes às seguintes:
«As reuniões que houveram…»
«Se houvessem divergências doutrinárias, se houvessem divergências políticas de fundo, eu acho que estaríamos numa situação difícil».
«Apesar de não haverem candidatos credíveis…»
As formas correctas são:
«As reuniões que houve…»
«Se houvesse divergências doutrinárias, se houvesse divergências (…)»
«Apesar de não haver candidatos credíveis…»
O verbo «haver» no sentido de existir é impessoal. Quer dizer que se conjuga apenas na terceira pessoa do singular, independentemente de se lhe seguir uma palavra no plural.
A mesma regra se aplica quando o verbo «haver» está no infinitivo, conjugado com um verbo auxiliar. Nesse caso o auxiliar terá de ficar também na terceira pessoa do singular, pois o verbo principal – ou seja, aquele que traduz a ideia principal – continua a ser o verbo «haver».
Exemplos:
«Vai haver problemas», e não «Vão haver problemas».
«Terá havido muitas divergências», e não «Terão havido muitas divergências».
«Começa a haver problemas», e não «Começam a haver problemas».
«Não deveria haver dúvidas», e não «Não deveriam haver dúvidas».
CUIDADO COM A LÍNGUA!
(continua)
a
In Rocha, Maria Regina de Matos e Costa, José Mário, Cuidado com a Língua, Oficina do Livro, Cruz Quebrada, 2008, pp 151-152

20 de junho de 2010

______A Viagem do Elefante_____


Estava a acompanhar a despedida a José Saramago pela televisão. Fui à estante e peguei num livro dele, ao acaso. Era A viagem do elefante. Abri e li algumas passagens. Apeteceu-me escrever…

O 18 de Junho ficará gravado na minha memória como um dia de perda, de grande comoção e de profunda consternação… 2010 será para sempre o ano da morte de José Saramago.

O meu apreço por este romancista (de certa forma mais internacional do que português) não se deve ao facto de ele ter recebido, em 1998, um prémio, aliás O prémio – o Nobel da Literatura. Já era, antes disso, um grande “companheiro” na minha incursão pelo universo do romance e da palavra. Não conheço toda a sua obra, mas li todos os seus romances (tenho uma predilecção por este género!) e, se não posso afirmar que todos os enredos foram do meu agrado, estou convicta de que todos os comentários humanistas que colocou na boca dos seus narradores sobre a condição e a dignidade humana me fizeram reflectir, repensar, aprender, crescer… O livro que mais me marcou, e que marca o início de um registo alegórico do autor, foi Ensaio sobre a Cegueira. Seguem-se, na minha predilecção, Todos os Nomes, O Homem Duplicado, As intermitências da Morte. Como não produzirá mais, resta-me o consolo de ler ou reler o legado que nos deixou.

Nem sempre concordei com as suas afirmações. Considerei algumas provocadoras, mas sempre entrei em diálogo comigo mesmo (já que não me era possível entrar em diálogo com ele). O próprio Saramago reconhecia alguns excessos, mas afinal tudo se devia à liberdade criadora: “Não que fosse a intenção nossa, mas, já sabemos que, nestas coisas da escrita, não é raro que uma palavra puxe por outra só pelo bem que soam juntas, assim muitas vezes se sacrificando o respeito à leviandade, a ética à estética, se cabem num discurso como este tão solenes conceitos, e ainda por cima sem proveito para ninguém. Por essas e por outras é que, quase sem darmos por isso, vamos arranjando tantos inimigos na vida.” (A viagem do elefante, pp. 175-176).

Saramago gerou polémicas, nunca indiferença. Construiu uma nova forma de pontuar, um estilo inconfundível, subversivo, bem saramaguiano, cujo uso e compreensão só é possível para quem domina perfeitamente as regras convencionais da pontuação. Assumiu o seu ateísmo e as suas críticas acutilantes contra a Igreja, revelando-se um exímio conhecedor dos livros sagrados e um profundo defensor da dignidade humana, dos preceitos morais, dos direitos dos oprimidos…

Saramago foi, e continuará a ser pela força da sua obra, um Homem sem rodeios, com uma intransigência crua e perturbadora face às injustiças sociais e face ao poder, mas simultaneamente com uma tolerância e generosidade imensa face às fraquezas humanas. O próprio disse, numa entrevista: “Gostaria de ser recordado como o escritor que criou a personagem do cão das lágrimas (Ensaio sobre a Cegueira). É um dos momentos mais belos que fiz até hoje”. Ora o cão das lágrimas representa, face à dureza do mundo, a imagem do animal humanizado pela generosidade e pela ternura. Senti-o muitas vezes como tal nas minhas leituras.

“Sempre chegamos ao sítio aonde nos esperam.” Só me resta desejar que, nesta sua viagem, se cumpra a epígrafe que ele escolheu para A viagem do elefante.

Estou certa de que Saramago continuará a chegar até nós através das suas palavras.

Até sempre.


16 de junho de 2010

«País Mistério»:
entrega de diplomas e de prémios

Como anunciado, a entrega de diplomas e prémios às concorrentes vencedoras do «País Mistério» aconteceu ontem à tarde, na Biblioteca.
Aqui fica, para a posteridade, a fotografia das "descobridoras" de Cuba, Tailândia, Argentina, Reino Unido, Djibouti, Índia, acompanhadas da professora Paula Melo, promotora do concurso.
A todas, parabéns! Boas descobertas geográficas e até ao novo ano, com novos desafios!

15 de junho de 2010

ATENÇÃO, participantes do concurso PAÍS MISTÉRIO !


(Clicar nas imagens para ampliar)