
O Império dos Pardais, João Paulo Oliveira e Costa
Romance
Comecemos com uma pequenina nota explicativa sobre algo que costuma suscitar confusão: romance. Romance é um género narrativo, a par da novela e do conto, dos quais se distingue, grosso modo, pela sua maior extensão e complexidade. O tema do amor pode ser abordado no romance e é-o frequentes vezes, mas tal não é obrigatório nem determinante na sua designação e caracterização de género. Por outras palavras, há romances sem amor e amores que nunca foram narrados ou postos em romance.
Dito isto, o que aqui nos ocupa é uma narrativa interessantíssima de um pedaço da nossa vida portuguesa, nos anos de Quinhentos, na cosmopolita Lisboa desse tempo. A História como pano de fundo e as histórias reais e prováveis da política e da estratégia do estado, dos serviços secretos, da espionagem, do crime, entrelaçadas com cenas do quotidiano, da vida doméstica, dos amores, das traições, dos atos sublimes e torpes que marcam as existências. Um romance fantástico, que envolve o leitor, explica e sugere em doses certas, e deixa pena ao terminar!
O autor é historiador e investigador. Muito do que conta foi aprendido nos documentos da História com maiúscula. E há factos que confessa ter ficcionado como hipóteses para as quais procura certificação científica (*). Este romance é a sua primeira experiência como ficcionista, apesar disso não se sente qualquer academismo na sua escrita, que flui de forma muito agradável.
O Império dos Pardais – o “nosso Império” – merecia bem uma adaptação ao cinema ou a televisão, numa série histórica, pois tem conteúdo bastante para isso, destinados a consumo interno e a exportação (garanto-vos que esta minha ideia é anterior à expressão da do Ministro da Economia sobre os pastéis de Belém). Tivéssemos nós por cá uma televisão com a qualidade, a visão estratégica e os meios de uma BBC e não escaparia, com certeza. Com histórias bem menos interessantes ou espetaculares, americanos e ingleses enchem o mundo de imagens da sua História. A nós cabe, pelo menos, conhecer bem a nossa, não acham? E que melhor e mais agradável maneira que através da literatura?
Este é um convite a conhecerem ou relembrarem, numa agradável viagem, o tempo em que fomos pardais… uma sabedoria a, talvez, reaprender!
(Existe um exemplar na nossa biblioteca.)
(*) Segundo entrevista dada no programa “Câmara Clara”, da RTP2
Maria Manuel Carvalhais