26 de outubro de 2009

O prazer de ler | Propostas de leitura




















O PRENÚNCIO DAS ÁGUAS
-----------------------------------------------------------------------
PRENÚNCIO: prenunciação, vaticínio, presságio, sinal, anúncio.


Pergunta-se: o que prenunciam as águas? Respondem-nos do universo romanesco: mudanças!

Nota que o nome é plural, o plural que afecta muitas e cada uma das personagens deste curioso romance.

As histórias de Prenúncio das Águas, vividas na primeira pessoa, ou testemunhadas – contadas a cinco vozes –, acontecem num lugar que, em breve, desaparecerá sob as águas de uma barragem há muito prometida, como uma condenação: Rio do Anjo.

Contar é, portanto, manter à tona o povoado alentejano, com a sua trama de ruas a direito e de enredos sinuosos, urdidos na pacatez dos interiores térreos, ou nas frescas soleiras do casario branco, a horas de temperatura clemente.

Antes do último olhar sobre a aldeia, fazem-se ouvir no romance as vozes de Filomena, emigrante retornada, de Sebastiana, a sibila, de Pedro, a criança confrontada com o mundo adulto, de Ivo, o regressado para finar-se com a povoação que expira, de Ausenda, uma mulher forçada a uma masculinidade postiça… Cada um deles transporta o seu passado de conhecimento, de aventura, de renúncia, de inocência, de superstição. A idade de Sebastiana perde-se no tempo, Pedro é apenas uma criança!

Que contam eles? As paixões, os sonhos, os ciúmes, as pequenas e grandes vinganças, os mistérios, as maldições que pairam sobre todas as existências…

«Adentro-me na água morna do rio como quem penetra num poema ignorado ou num amor nascente. Não nado, deslizo, com os cabelos soltos que me seguem, oscilando, e que se enrolam, de onde em onde, nos dedos de plantas misteriosas (1)».

Sempre presente e simbólica, a água: Fonte de vida? Centro de amor? Agente de morte?
Pergunta-se: o que prenunciam as águas? A descoberta pertence ao leitor. A ti!

(1) FARIA, Rosa Lobato, O Prenúncio das Águas, 2ª ed., Porto, Asa Editores, p. 7.


Uma aldeia condenada a ser submersa pelas águas
O humor descarnado de um Alentejo só e solidário
Vidas marcadas pela vergonha e frustração...
A sensualidade criadora de todos os mistérios
Um crime passional com um cadáver por esconder
Cinco olhares que nos guiam ao encontro de uma revelação
Quando a água é vida e morte numa aldeia a submergir
As memórias das vidas e das pedras teimam em resistir
O Prenúncio das Águas, um livro que te prende do sonho inicial de “vozes sem palavra”s até à despedida de “lençóis acenando num infinito adeus.
Deixa-te enredar nesta intriga, mergulha nas águas purificadoras de Rio do Anjo e traz contigo a revelação deste livro
Lê-se de um fôlego e é prenúncio de uma leitura inesquecível!


. . . . . . . . .............. . . . . . . .


O romance da proposta de leitura que hoje te deixamos baseia-se no desaparecimento real da velha Aldeia da Luz, submersa com a construção da barragem do Alqueva, no Alentejo, de que talvez já tenhas ouvido falar. Foi construída, em sua substituição, uma aldeia novinha em folha, com o mesmo nome, mas forçosamente diferente. Aqui te deixamos , como uma curiosidade, algumas fotografias dos dois povoados. Aprecia. E, se um destes dias rumares a Sul, vai até lá fazer a tua própria reportagem da bela albufeira, imaginando o que ela esconde, e da novíssima e branca aldeia nova...!

Boas leituras!!!



2 comentários:

maria disse...

Gostaria de saber se a biblioteca tem este livro para requisitar já que faz parte das propostas do concurso de leitura.

BE ESMM disse...

Maria

Sim, a biblioteca tem dois exemplares deste livro. Espero que gostes dele, como nós gostámos!